“A política é a guerra sem derramamento de sangue, enquanto a guerra é a política com derramamento de sangue.” Mao Tsé Tung

domingo, 27 de julho de 2014

Questão de classe

A mobilidade social ocorrida nas últimas duas décadas fez emergir um novo ator político, a chamada ‘nova classe média’, uma parcela da classe D que ascende à classe C. A questão não é apenas econômica. No clássico livro “White Collar: The American Middle Classes”, o sociólogo Wright Mills mostra que os trabalhadores que conquistam melhores salários em cargos que não envolvem trabalhos manuais (como chefia, planejamento e coordenação) não mais se enxergam como operários e passam a adotar as idéias e os discursos dos seus patrões. Na sociedade brasileira, onde ocorreu uma grande ascensão econômica, parece ter ocorrido um fenômeno que se assemelha àquele; parte dessa classe C tem adotado um discurso de crítica às políticas distributivas e ido contra as políticas que a fez ascender. A questão da classe social sucumbe diante da ideia de mérito e, assim, ela repete o discurso dos grupos dominantes para quem a riqueza e o bem estar devem ser resultado dos esforços individuais e o de que as políticas sociais e distributivas servem para criar injustiças. Há dois fatores que facilitam o entendimento desse fenômeno, por um lado os indivíduos vêm na melhoria de vida uma possibilidade de distinção e diferenciação social, que acabariam com a ascensão daqueles que estão abaixo deles e, por outro, a noção de que quanto maior for a renda menor será a sua dependência em relação ao Estado e que, portanto, quanto mais o governo intervir mais esse indivíduo terá que pagar por algo que não será revertido a ele. Essa nova ‘classe média’ não apenas reproduz os padrões de consumo e os comportamentos das elites como também tende a adotar suas mentalidades e posicionamentos políticos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.