A mobilidade social ocorrida nas últimas duas décadas fez
emergir um novo ator político, a chamada ‘nova classe média’, uma parcela da
classe D que ascende à classe C. A questão não é apenas econômica. No clássico
livro “White Collar: The American Middle Classes”, o sociólogo Wright Mills
mostra que os trabalhadores que conquistam melhores salários em cargos que não
envolvem trabalhos manuais (como chefia, planejamento e coordenação) não mais
se enxergam como operários e passam a adotar as idéias e os discursos dos seus
patrões. Na sociedade brasileira, onde ocorreu uma grande ascensão econômica,
parece ter ocorrido um fenômeno que se assemelha àquele; parte dessa classe C
tem adotado um discurso de crítica às políticas distributivas e ido contra as
políticas que a fez ascender. A questão da classe social sucumbe diante da
ideia de mérito e, assim, ela repete o discurso dos grupos dominantes para quem
a riqueza e o bem estar devem ser resultado dos esforços individuais e o de que
as políticas sociais e distributivas servem para criar injustiças. Há dois
fatores que facilitam o entendimento desse fenômeno, por um lado os indivíduos
vêm na melhoria de vida uma possibilidade de distinção e diferenciação social,
que acabariam com a ascensão daqueles que estão abaixo deles e, por outro, a
noção de que quanto maior for a renda menor será a sua dependência em relação
ao Estado e que, portanto, quanto mais o governo intervir mais esse indivíduo
terá que pagar por algo que não será revertido a ele. Essa nova ‘classe média’
não apenas reproduz os padrões de consumo e os comportamentos das elites como
também tende a adotar suas mentalidades e posicionamentos políticos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.