Mesmo tendo no horizonte o
julgamento do mensalão, o PT preferiu apostar na inocência dos envolvidos no
escândalo. Não se sabe o quanto, mas é provável que venha a pagar por isso.
Mesmo que consiga reeleger Dilma em 2014, o partido
sabe que não contará com seu eleitorado histórico e isso pode prejudicar seus
planos em diversos estados e nas eleições parlamentares. A aposta na absolvição
popular não se deu sem motivos, se baseava numa certa leitura da realidade
brasileira, havia razões históricas e culturais para imaginar que o escândalo
não resultaria em grande repercussão eleitoral. Os petistas acreditam que a
população já se acostumou a pensar a corrupção como intrínseca à política e,
sendo assim, que todo e qualquer partido ou político seriam de antemão vistos
como corruptos ou no mínimo complacentes com esquemas ilegais ou imorais. O
novo argumento do antigo 'partido da ética' é o de que ainda que estivesse no
centro do escândalo mais importante, todos os partidos importantes, em maior ou
menor grau, possuíam participação de alguns dos seus principais líderes em
esquemas suspeitos e que, portanto, todos se equivaleriam em seus métodos e o
que os diferenciaria seria a eficácia e o resultado das suas ações enquanto
governo. Por anos a bandeira da ética foi uma razão importante para aproximar o
partido do eleitor de classe média, ao abandoná-la em nome do pragmatismo os
petistas perderam sua base inicial que mesmo sendo menor em termos numéricos
tinha um papel fundamental na formação da opinião pública. Difícil antever ou
as consequências, mas é de se esperar que o PT pague o preço de suas escolhas.
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