“A política é a guerra sem derramamento de sangue, enquanto a guerra é a política com derramamento de sangue.” Mao Tsé Tung

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Em defesa dos políticos

Imagine, se você pudesse, sem nenhum custo, mudar para melhor a vida de milhares ou milhões de pessoas; com certeza mudaria. Qualquer um mudaria. Se você pudesse ajudar milhares de pessoas, se pudesse melhorar a educação, o sistema de saúde, o transporte público e a segurança da população você ajudaria, qualquer um ajudaria, não é preciso nenhuma qualidade especial para isso. Nenhum político é idiota, se qualquer um deles tivesse a possibilidade de reduzir os problemas sociais e aumentar o bem estar da população fariam isso sem pestanejar, mesmo porque sabem que isso lhes garantiria reconhecimento, prestígio, votos e poder. Os políticos querem tudo isso, os partidos querem isso, é um ciclo óbvio demais. E não me venha com a história de que políticos querem um povo burro e dependente, esse é um argumento fácil e tolo, eles sabem que precisam de um eleitor satisfeito, sabem que o eleitor é como um consumidor qualquer, as pessoas são racionais na compra e no voto. Não é ingênuo acreditar que se pudessem te ajudar eles ajudariam. Ingênuo é esperar que eles farão isso! E por que não farão? Não farão porque vivemos num mundo de interesses, os seus interesses são diferentes dos meus, assim como os interesses de patrões e empregados são diferentes, como diferentes são os interesses dos sem terras e dos latifundiários, das grandes mídias e da verdade. Aqui acaba a bondade do político, ele tem que decidir, tem que definir de que lado ele estará e a quem vai defender. Ele precisa saber quem lhe trará ganhos, quem vai lhe garantir prestígio, poder e votos. A política é uma luta de forças entre idéias e interesses distintos e irreconciliáveis, não dá para ser ao mesmo tempo a favor e contra a descriminalização do aborto, não dá para apoiar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo sem desagradar a ninguém. Quando alguns ganham outros perdem. O poder está nas mãos do capital, está com a grande mídia, com os grandes grupos religiosos, está nos países ricos, não está nos partidos ou no Congresso. Falar em vontade política é bobagem, a questão não é de empenho, coragem ou firmeza. Na maior parte das vezes não é isso que conta, o que realmente importa é saber que o jogo de poder está muito acima dos ditos representantes do povo e que sejam eles quem forem não lhes restará muitas opções, quem quiser governar terá que se curvar diante de quem realmente tem o poder.


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