“A política é a guerra sem derramamento de sangue, enquanto a guerra é a política com derramamento de sangue.” Mao Tsé Tung

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Vai ter golpe e (não) vai ter luta

Fazer história é criar uma narrativa, uma interpretação sobre a realidade. Ao afirmar que estamos vivendo um golpe, o governo tenta criar uma versão para os recentes acontecimentos políticos do país. Trata-se de um argumento que pode convencer basicamente aqueles que já estão ao seu lado e de algum modo colocar uma nova parcela da população contra o impeachment. É uma bela cartada, a melhor que o governo possui, mas tem suas limitações. A primeira que é que esse discurso serve para conquistar parte da opinião pública, que é majoritariamente a favor do impeachment, mas não tem poder de convencimento dentro do Congresso que é efetivamente quem decide e que se baseia em interesses. É, ainda, uma argumento que coloca em questão toda a ordem constitucional e os demais poderes da república, gerando mais conflitos que convergências. A abertura do processo de impeachment, sem dificuldades, o afastamento certamente virá, mas a saída definitiva ainda é está em aberto e pode não acontecer, assim há necessidade de se construir alianças políticas para isso. Mas a pior dos problemas será, num futuro próximo, em relação à própria militância. Nem Dilma, afastada, nem o PT, acuado, poderão reagir à altura da ideia de golpe, se eles acreditarem mesmo nesse argumento teriam que radicalizar e lutar em todas as instâncias, mas isso não deve ocorrer; o mais provável é uma saída pacífica como um governo deposto, algumas manifestações, novas negociações e o costumeiro mimimi nas redes sociais. Para a esquerda a crença no argumento do golpe pode trazer tanta dor quanto alento. 

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