O governo Dilma acabou. Com impeachment ou sem já não mais governabilidade; nem haverá. O 'golpe' já
foi dado, foi um golpe de mestre: o PMDB foi negociando, foi entrando, ganhando
postos, definiu o vice, ganhou ministérios, o comando da câmara e do senado; já
está no poder há algum tempo. Ao abandonar o barco, ele isola Dilma e assume o comando. Simples assim! Quem deu esse espaço foi o PT: no início do governo Lula o PMDB não tinha nada, no final do
governo Dilma terá tudo! Aquele que conseguir observar o jogo político
sem qualquer paixão como que observa um jogo de xadrez, diria que houve um ‘nó
tático’, o xeque mate é irreversível. Os parlamentares que agora querem destituir
Dilma são os mesmos que até bem pouco tempo estavam na base do governo e que
ganharam tudo o que podiam, agora abandonam o barco para ganhar mais ainda. Há
aqui algumas possibilidades para entender o jogo: a falta de habilidade do
governo Dilma em conseguir negociar com sua base aliada, algo que é óbvio desde
2010 (quem está por trás da deposição é a base aliada e não a posição); tem a questão do fortalecimento e da revanche do legislativo diante do executivo, o que
vem ocorrendo sobretudo a partir da eleição de Eduardo Cunha para a presidência
da Câmara; o terceiro motivo são os escândalos de corrupção e os problemas
econômicos que fragilizam o governo diante da opinião pública e desarticulam a
base, interessada em se afastar dos problemas; por último o principal, a sede de poder daqueles que estavam 'comendo pelas beiradas'. Juntando esses ingredientes o
grupo anti Dilma que era minoritário dentro do PMDB, conseguirá não apenas
controlar o partido mas afastar a presidenta e tomar conta do país. Isso sim é
golpe, um grande golpe de mestre.
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