“A política é a guerra sem derramamento de sangue, enquanto a guerra é a política com derramamento de sangue.” Mao Tsé Tung

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vitória extraordinária

A vitória de Fernando Haddad representa uma dos mais importantes feitos da história do PT, algo só comparável às eleições de Lula e Dilma. É uma conquista extraordinária por motivos tanto históricos quanto conjunturais. Caso se confirmem as pesquisas, será a eleição em que um candidato petista conquistará o maior percentual de votos na capital paulista, uma cidade de eleitorado tradicionalmente conservador e onde o partido sempre teve dificuldades em eleições majoritárias; em três décadas de eleições para prefeito e governador o PT conseguiu maioria dos votos apenas em apenas uma, quando Marta Suplicy venceu Maluf em 1999. A vitória se torna mais significativa se considerarmos que ela se deu num embate direto contra o PSDB e contra José Serra, o candidato que há apenas dois anos era o principal líder da oposição e que hoje se vê enfraquecido e com futuro incerto. Não fosse pouco, é a conjuntura que explica o extraordinário da vitória; o PT passou os últimos meses no centro do furacão, passou pela sua mais dura provação e saiu maior do que entrou – mais uma vez o mensalão parece ter sido ignorado pela maior parte dos eleitores. Sob ataque constante da oposição e de boa parte da imprensa o partido conseguiu conquistar mais prefeituras que em 2008, batendo mais um recorde, o PT é o único grande partido que tem conseguido crescer seguidamente nas últimas dez eleições.  Continue lendo.
Abertas as urnas, a oposição sairá menor do que entrou nessas eleições. Não apenas em números de prefeituras mas sobretudo em questão de relevância. Ainda que não seja diretamente administrada pelos tucanos, a cidade de São Paulo é uma espécie de bunker do PSDB e, nesse sentido, a derrota de Serra pode ser catastrófica. Kassab foi não apenas uma criação de José Serra mas o seu escudeiro, a administração de ambos foi uma coisa só como confirma a própria campanha do tucano. Mesmo em outro partido Kassab era mais que um aliado, era o sujeito que representava a cara nova da mesma moeda; algo que não podia ser desmerecido, dado que há mais de duas décadas PSDB paulista apresenta apenas nomes para todas as eleições majoritárias: Serra e Alckmin se revezam como candidatos, ora a prefeito, ora a governador, ora a presidente. Enfraquecidos em nível federal, a perda da capital paulista representa uma derrota dolorida para a oposição e exige uma reavaliação urgente. Certos ou errados os petistas conhecem muito bem os eleitores que têm e sabe trabalhar com eles, cabe à oposição reverter a situação, colocar sua visão e propostas factíveis e reconhecer o povo que quer conquistar.

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