A vitória de Fernando Haddad
representa uma dos mais importantes feitos da história do PT, algo só
comparável às eleições de Lula e Dilma. É uma conquista extraordinária por
motivos tanto históricos quanto conjunturais. Caso se confirmem as pesquisas,
será a eleição em que um candidato petista conquistará o maior percentual de
votos na capital paulista, uma cidade de eleitorado tradicionalmente
conservador e onde o partido sempre teve dificuldades em eleições majoritárias;
em três décadas de eleições para prefeito e governador o PT conseguiu maioria
dos votos apenas em apenas uma, quando Marta Suplicy venceu Maluf em 1999. A
vitória se torna mais significativa se considerarmos que ela se deu num embate
direto contra o PSDB e contra José Serra, o candidato que há apenas dois anos
era o principal líder da oposição e que hoje se vê enfraquecido e com futuro
incerto. Não fosse pouco, é a conjuntura que explica o extraordinário da
vitória; o PT passou os últimos meses no centro do furacão, passou pela sua
mais dura provação e saiu maior do que entrou – mais uma vez o mensalão parece
ter sido ignorado pela maior parte dos eleitores. Sob ataque constante da
oposição e de boa parte da imprensa o partido conseguiu conquistar mais
prefeituras que em 2008, batendo mais um recorde, o PT é o único grande partido
que tem conseguido crescer seguidamente nas últimas dez eleições. Continue lendo.
Abertas as urnas, a oposição
sairá menor do que entrou nessas eleições. Não apenas em números de prefeituras
mas sobretudo em questão de relevância. Ainda que não seja diretamente
administrada pelos tucanos, a cidade de São Paulo é uma espécie de bunker do
PSDB e, nesse sentido, a derrota de Serra pode ser catastrófica. Kassab foi não
apenas uma criação de José Serra mas o seu escudeiro, a administração de ambos
foi uma coisa só como confirma a própria campanha do tucano. Mesmo em outro
partido Kassab era mais que um aliado, era o sujeito que representava a cara
nova da mesma moeda; algo que não podia ser desmerecido, dado que há mais de
duas décadas PSDB paulista apresenta apenas nomes para todas as eleições
majoritárias: Serra e Alckmin se revezam como candidatos, ora a prefeito, ora a
governador, ora a presidente. Enfraquecidos em nível federal, a perda da
capital paulista representa uma derrota dolorida para a oposição e exige uma
reavaliação urgente. Certos ou errados os petistas conhecem muito bem os eleitores que têm e sabe trabalhar com eles, cabe à oposição reverter a situação, colocar sua visão e propostas factíveis e reconhecer o povo que quer conquistar.
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