Política não é assunto para os
ingênuos que atrelam poder à ética ou à felicidade. Sabia Maquiavel que os
líderes são avaliados pelas suas conquistas, pelo resultado dos seus feitos e não pela sua moral; a ética da
política vai além do justo e do injusto, do certo e do errado, do bem e do mal,
por isso, mesmo estando no centro do debate, o mensalão teve um peso quase nulo
nessas eleições e o PT deve sair como o partido mais vitorioso. O discurso da
ética na política não colou, primeiro porque todos os grandes partidos estão
envolvidos em escândalos de corrupção; o eleitor acredita que se o PT é corrupto os outros
também são. Se os homens se equivalem, os políticos também se equivalem, se a natureza
humana é a mesma e é ruim, portanto não há porque acreditar naquele que ainda não foi
condenado. Sendo assim, se em termos éticos eles se equivalem, o que importa é
o que eles efetivamente fazem quando estão no poder e nesse sentido a percepção
do eleitor de que os petistas são melhores tem algumas explicações simples. Para o eleitor comum, o
primeiro e mais importante instrumento de decisão ainda é o bolso: importa
saber se a vida dele está melhor ou pior e para onde apontam as suas perspectivas
futuras. A vida da maioria das famílias melhorou consideravelmente na última
década, o desemprego hoje é bem menor que o existente no final do governo
Fernando Henrique e o poder de compra parece ser muito maior, graças às
facilidades de crédito. isso se reflete no voto. Ainda que seja apenas miragem, a população percebe o PT como mais próxima a ela, nesse sentido é interessante a pesquisa realizada pelo Datafolha que
aponta que os eleitores vêm José Serra como alguém que beneficia os mais ricos
e Haddad como alguém que trabalhará para os menos ricos; como lembra Maquiavel, o o governante que quer apoio deve estar ao lado do povo e não dos poderosos. Pode não ser assim, mas a realidade nada mais é do que aquilo que se percebe. Continue lendo
Pouco importa se o responsável pela sensação de melhoria de vida é ou não o governo, importa que se reconhça no mandatário do momento a liderança do processo. Quem vota para prefeito está interessado em questões práticas, quer saber se o transporte, a escola e o hospital serão melhores ou piores e não se o candidato é amigo do ladrão ou do advogado – que muitas vezes podem ser a mesma pessoa; aasim o que se passa no STF se torna irrelevante. Também sabia Maquiavel as escolhas podem ser explicadas pelo contexto e que é mais difícil manter o poder que conquistá-lo, é mais fácil acreditar na promessa de quem não se conhece do que na de quem promete algo que poderia ter feito e não fez; o descontente pensa assim: aquele que já esteve no governo e não fez, não fará agora e nem nunca. O príncipe deve saber que aquele que tem em mãos os negócios do Estado não deve nunca pensar em si próprio, mas Serra sempre pensou apenas no seu projeto pessoal de chegar à presidência, capitão que abandona o seu exército no meio da batalha não deve ser reconduzido ao cargo; ele não leu, mas o conselho era claro: procure vencer e preservar o Estado! Também não deve ter lido que a um príncipe pouco devem importar as conspirações quando se é amado pelo povo, mas quando este é seu inimigo e o odeia, deve temer tudo e a todos; Serra já entrou derrotado na disputa, um candidato com mais de 50% de rejeição não tem nenhuma possibilidade de se eleger, ele era o seu principal adversário, perderia até para um poste! Haddad foi professor de ciência política, foi meu professor inclusive, conhece muito bem Maquiavel; e quem disse que filosofia não serve pra nada?
Esse texto ainda é um rascunho!

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