Onze
anos após os atentados de 11 de setembro o mundo ainda parece incapaz de
entender o seu significado e dimensionar todas as suas conseqüências, ainda
assim um fato parece gritar: não há nesse início de século qualquer homem que
faça sombra em termos de importância a Osama Bin Laden, ninguém nesse período
teve uma influência tão grande nos rumos do planeta quanto ele. O terrorismo
venceu e o êxito da Al Qaeda foi provavelmente muito maior do eles mesmos
imaginaram. Se o objetivo era espalhar o medo e o terror e com isso
desestruturar a sociedade norte-americana o resultado não poderia ser melhor,
em um único dia os terroristas conseguiram fazer estragos talvez maiores do que
a União Soviética tenha conseguido em quatro décadas de Guerra Fria. Além de
apresentar o terror aos ingênuos sobrinhos do Tio Sam, Bin Laden e seus homens
contribuíram para colocar o país numa encruzilhada maniqueísta que pode levá-lo
a um governo fundamentalista de direita; com a ajuda de George Bush e sua
desastrada estratégia de guerra contra o terror, que consumiu mais de cinco
trilhões de dólares, contribuíram decisivamente para a maior crise econômica em
mais de meio século. A morte em combate só contribui para transformar o
terrorista em mito, se de fato estiver no fundo do mar, o terrorista saudita
deve ter muito o que comemorar pelo que conseguiu nessa última década, mas
também deve agradecer e muito o apoio que teve da imprensa que contribuiu para
transformar seus feitos em gigantescos espetáculos midiáticos e para
transformá-lo em mito, deve agradecer ao governo Bush que fez de tudo para
espalhar o medo pelo país, que inventou guerras funestas e ajudou a dividir o
mundo alimentando novos inimigos por todos os seus cantos.

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