Seria de se esperar que a
educação fosse um tema central das eleições municipais de São Paulo. Se não
pela baixa qualidade do sistema ao menos pelo fato que entre os principais
candidatos temos um que foi ministro e outro que foi secretário estadual nessa área
e ainda um professor que tem na educação sua principal bandeira e outro que,
talvez pela concorrência, escolheu como seu vice o secretário municipal da
educação do atual governo. Contudo, no geral, as discussões são raras e as
propostas para a área ou beiram o ridículo ou não tocam nas questões mais
fundamentais, além do de sempre, propostas genérica e promessas de mais prédios,
um candidato promete bolsas de mestrado e doutorado para os professores, outro
fala em colocar dois professores numa mesma sala de aula, quase todos falam em
aumentar o tempo do aluno em sala de aula. São propostas que se não são ruins
são pouco efetivas. A formação média dos professores é muito ruim e ainda assim
os melhores e mais capacitados tendem a fugir das escolas públicas, seja pelo
salário seja pelas péssimas condições de trabalho, distribuir bolsas de
pesquisa para professores não é eficiente caso ele tenha que voltar para salas
de aulas lotadas e sem infraestrutura para enfrentar grandes jornadas de
trabalho em troca de salários baixos. Também é pouco eficaz deixar as crianças
e adolescentes por mais tempo nessa escola ruim e sem estrutura, pode ser um
castigo ou desestímulo a mais, é pensar escolas como depósitos de crianças e
adolescentes, espécies de Febens não oficiais. Imaginar que a melhoria da
educação passa por colocar um estagiário de pedagogia na sala de aula é
ridículo, os bons colégios no Brasil ou em qualquer parte do mundo funcionam
com apenas um professor, ou não? Educação ainda é artigo de luxo, partidos e
candidatos não pensam seriamente a questão da qualidade do ensino porque não
convém, além de exigir altos investimentos, requer sacrifícios que não serão
recompensados a curto prazo, o fato é que de modo geral a população pouco se
importa com as escolas públicas e muito menos tem consciência da situação crítica
em que ela se encontra. Conhecimento não é um bem visível como pontes e
monumentos, infelizmente é isso que a população enxerga, é isso que rende
votos.
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