“A política é a guerra sem derramamento de sangue, enquanto a guerra é a política com derramamento de sangue.” Mao Tsé Tung

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Entre tapas e beijos

Em algum lugar minimamente sério o senhor Paulo Maluf estaria atrás das grades ou completamente enterrado, nem que fosse em sentido figurado. Com seu nome na lista de corrupção internacional do Banco Mundial e procurado pela Interpol, aos 80 anos o político paulista continua vivendo tranquilamente entre sua mansão nos Jardins e o Congresso Nacional e é disputado pelos mais importantes partidos políticos do país. Cria da ditadura, Maluf é sinônimo de corrupto, sua vida é recheada de escândalos, suspeitas de lavagem de dinheiro e mau uso do dinheiro público, mas no sistema político brasileiro ainda está longe de ser cachorro morto, boa ou má sua imagem lhe dá peso de lenda viva. Ainda assim, mesmo que tenha seus eleitores cativos, e não são poucos, não seria de se esperar que a essa altura fosse cortejado por PT e PSDB como se fosse a noivinha ideal. Ocorre que o malufismo possui uma força significativa no conservador eleitorado paulista e o Dr. Paulo não deixou herdeiros de peso, são votos capazes de decidir uma eleição; para além disso, Maluf e seu partido possuem um tempo de televisão que vale ouro. Por menos de dois minutos qualquer partido parece estar disposto a vender a alma ou, se ainda restasse alguma, a dignidade. Sim, tempo é dinheiro e numa campanha eleitoral quem o tem pode negociá-lo com quem lhe oferecer as melhores ofertas, alguns segundos podem valer um vice, podem valer alguns ministérios ou secretarias, isso para não entrar em questões mais evidentes de corrupção. É assim na disputa eleitoral é também assim no governo, quando a governabilidade impõe a necessidade de alianças, sejam elas com quer que seja. Adversários históricos, PT e Maluf se uniram e não há nenhuma incoerência nisso, ambos são obcecados pelo poder e sabem que juntos terão muito mais força do que separados, são parceiros não é de hoje, os petistas se uniram ao PRB da Igreja Universal, tentaram cooptar a todos, inclusive a direita, Maluf por sua vez já esteve ao lado dos militares, já trocou afagos com Mario Covas e Fernando Henrique e esteve braços dados com o PSDB, que fez aliança com o PFL e agora abraça o PR; decidiu mais uma vez estar ao lado de quem ofereceu mais. A aproximação, obviamente, não é ideológica, ao lado dos petistas há de tudo, já de Maluf nunca se esperou que colocasse ideias na frente dos interesses. Nada de novo, só mais uma página no antigo vale tudo na política brasileira.

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