Em algum lugar minimamente sério o senhor Paulo Maluf estaria
atrás das grades ou completamente enterrado, nem que fosse em sentido
figurado. Com seu nome na lista de corrupção internacional do Banco
Mundial e procurado pela Interpol, aos 80 anos o político paulista
continua vivendo tranquilamente entre sua mansão nos Jardins e o
Congresso Nacional e é disputado pelos mais importantes partidos
políticos do país. Cria da ditadura, Maluf é sinônimo de corrupto, sua
vida é recheada de escândalos, suspeitas de lavagem de dinheiro e mau
uso do dinheiro público, mas no sistema político brasileiro ainda está
longe de ser cachorro morto, boa ou má sua imagem lhe dá peso de lenda
viva. Ainda assim, mesmo que tenha seus eleitores cativos, e não são
poucos, não seria de se esperar que a essa altura fosse cortejado por PT
e PSDB como se fosse a noivinha ideal. Ocorre que o malufismo possui
uma força significativa no conservador eleitorado paulista e o Dr. Paulo
não deixou herdeiros de peso, são votos
capazes de decidir uma eleição; para além disso, Maluf e seu partido
possuem um tempo de televisão que vale ouro. Por menos de dois minutos
qualquer partido parece estar disposto a vender a alma ou, se ainda
restasse alguma, a dignidade. Sim, tempo é dinheiro e numa campanha
eleitoral quem o tem pode negociá-lo com quem lhe oferecer as melhores
ofertas, alguns segundos podem valer um vice, podem valer alguns
ministérios ou secretarias, isso para não entrar em questões mais
evidentes de corrupção. É assim na disputa eleitoral é também assim no
governo, quando a governabilidade impõe a necessidade de alianças, sejam
elas com quer que seja. Adversários históricos, PT e Maluf se uniram e
não há nenhuma incoerência nisso, ambos são obcecados pelo poder e sabem
que juntos terão muito mais força do que separados, são parceiros não é
de hoje, os petistas se uniram ao PRB da Igreja Universal, tentaram
cooptar a todos, inclusive a direita, Maluf por sua vez já esteve ao
lado dos militares, já trocou afagos com Mario Covas e Fernando Henrique
e esteve braços dados com o PSDB, que fez aliança com o PFL e agora
abraça o PR; decidiu mais uma vez estar ao lado de quem ofereceu mais. A
aproximação, obviamente, não é ideológica, ao lado dos petistas há de
tudo, já de Maluf nunca se esperou que colocasse ideias na frente dos
interesses. Nada de novo, só mais uma página no antigo vale tudo na
política brasileira.
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