Nos últimos doze anos não houve
oposição, o PT governou como quis e fez o que queria ou podia fazer. Por conta disso, o partido só poderia perder para ele mesmo, seria o próprio PT seu principal adversário. É o que vem acontecendo, e lutando consigo mesmo ele está perdendo, a arrogância petista
criou a situação em que ele se encontra hoje. É inegável que as políticas sociais
dos governos Lula e Dilma melhoraram a vida da maioria da população brasileira,
milhões saíram da miséria, milhões ascenderam à classe média, outros tantos
entraram nas universidades, compraram carro novos ou conseguiram financiar a
casa própria, o desemprego caiu, o salário subiu e a vida melhorou. Por anos a
aprovação do governo se manteve alta, o PT cresceu em todas as regiões do país
e se tornou o único eixo da política brasileira. O sucesso trouxe a arrogância e a
soberba, o partido não apenas abandonou suas bases como deixou de perceber o
que se passava na sociedade, quem criticava o governo era como visto reaça ou
coxinha e como tal um bobalhão alienado. O PT simplesmente ignorou a opinião
pública ao tratar seus mensaleiros como heróis, confundiu Estado com governo, cuspiu no seu passado quando se
aliou a políticos do nível de Collor, Maluf e Sarney, assumiu o perigoso discurso de que
a corrupção é inerente ao jogo político, cooptou os movimentos sociais e
sindicatos tirando as suas capacidades de organização e articulação nas bases e quando chamado o PT não respondeu
à voz das ruas. Dilma e o partido encolheram e a culpa não é só da imprensa burguesa que
o ataca constantemente, não é só da onda conservadora que assola o país, é
também da arrogância e da soberba que atinge aqueles que se acham acima do bem
e do mau. No segundo turno a disputa está aberta mas se quiser vencer (e não
apenas ganhar) Dilma terá que baixar a bola, descer do salto e aprender a dar nó em
pingo d’água.

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